Kyoto

Day trip para conhecer Nara – a cidade dos cervos

Ex-capital do Japão, Nara é uma cidade que merece ser visitada quando estiver em viagem pelo país. A cidade possui uma boa rede hoteleira, mas muitas pessoas optam por fazer uma day trip a partir de Kyoto, para conhecer os famosos templos e o grande Nara Park, onde residem mais de centenas de cervos e veados. Nós optamos por conhecer a cidade dessa forma e reunimos aqui as principais atrações para conhecer em uma day trip para Nara.

Antigamente conhecida como Helijo-Kyo (cidade da paz), Nara foi a primeira capital permanente do Japão, no ano de 710, se mantendo nesta condição por 75 anos, quando a capital passou para Kyoto. Um dos destinos mais atraentes do país, a cidade abriga oito locais nomeados Patrimônio Mundial da UNESCO, perdendo apenas para Kyoto como o maior legado cultural do Japão.

Para chegar a Nara saindo de Kyoto, basta pegar o JR na Kyoto Station, seguindo pela Nara Line. O percurso varia de 45 a 70 minutos, dependendo do trem que você pegar, sendo o Miyakoji Rapid Train a forma mais rápida de chegar a Nara. Os trens para Nara, normalmente saem das plataformas 8 a 10 da estação deKyoto.

Ao chegar na estação de Nara, já nos deparamos com uma estátua de um monge budista com chifres de veado. Esta é uma representação por Nara ser uma grande referência do budismo no Japão e pelos inúmeros cervos e veados que circulam livremente pela cidade. Na estação também há um Centro de Recepção a Turistas com funcionários voluntários que explicam sobre as atrações, como se locomover e pegar um mapa da cidade.

Apesar da estação de Nara ser próxima às atrações da cidade, recomendo pegar um ônibus até o Santuário Kasuga Taisha (ponto turístico mais distante) e depois voltar andando, passando pelas demais atrações de Nara. As linhas que vão na direção são: 2, 70, 72 ou 97. Este santuário é um dos mais conhecidos centros xintoístas, com construção original datada de 768 e segunda a tradição xintoísta foi reconstruído a cada 20 anos, até o final do período Edo quando a tradição foi interrompida. O caminho para o santuário é contornado por diversas lanternas de pedra. Pertencente à família Fujiwara, o santuário possui um salão externo que pode ser visitado gratuitamente, repleto de lanternas, porém para conhecer o interior é necessário adquirir ingresso. À noite, durante o festival das lanternas, o santuário chama atenção pela beleza, como ilustrado no mural.

Dali seguimos para a principal atração da cidade de Nara, o Templo Todaiji. Para chegar ao templo a pé, passamos pelo parque Nara-koen que abriga mais de mil cervos, que nos templos budistas eram considerados mensageiros dos deuses e por isso circulam livremente. Em sua maior parte são animais dóceis, sendo possível chegar perto e tirar fotos e muitas vezes até fazer carinho nos animais. Tome cuidado com mapas e comida, porque eles podem avançar para pegar. Quem quiser pode se aventurar a alimenta-los com os shika-senbei, biscoitos para cervos, vendidos em várias barraquinhas pelo parque. Mas prepare-se: eles virão em cima de você com uma fome devastadora. Note a placa indicando o que um deles pode fazer com você, chega a ser engraçado.

Passamos também por um lago, Mirror Pond, onde pudemos observar um navio de madeira, um símbolo do intercâmbio cultural com o Sudeste Asiático. Criado por Cai Guo-Qiang, um dos artistas mais representativos da China, o navio foi construído como parte do programa do Nara’s Culture City of East Asia 2016.

No caminho para o Templo Todaiji passamos por várias lojas de souvenires, até chegar ao portal Nandai-mon(Grande Portal Sul) com 21 metros de altura e duas imagens de madeira dos guardiões Nio, um de cada lado, entalhadas no século XIII pelo escultor Unkei. Até esta parte o acesso é gratuito, porém para entrar no templo e ver o Grande Buda de Nara, é preciso pagar ingresso e vale muito a pena. Eu achei um dos templos mais bonitos que visitei no Japão. Até hoje, o templo funciona como sede da escola de budismo Kegon.

O Templo Todaiji foi construído em 752 a pedido do imperador Shomu, para consolidar o país e servir como centro espiritual, abrigando a imagem do Grande Buda de Nara. O telhado chama atenção por apresentar dois chifres dourados. O salão que abriga o Daibutsu (Grande Buda Sentado) se chama Daibutsu-den Hall e é a maior construção em madeira do mundo, mesmo a reconstrução atual (de 1692) sendo apenas dois terços do tamanho original do templo.

Segundo a doutrina Kegon, o Daibutsu (em japonês) ou Vairocana (em sânscrito) é o Buda Cósmico e deu origem a todos os outros budas. A posição das suas mãos tem dois significados: de proteção ou “não tema” (direita) e “seja bem-vindo” (esquerda). Os 15 metros de altura da estátua, impressiona aos que adentram o salão. A estátua original data de 752, feita de bronze, mercúrio e cera vegetal, tendo sido reformada algumas vezes após terremotos e incêndios. Inclusive, uma mão, exposta em separado atrás do Buda, nos dá a dimensão do tamanho total da estátua.

O Grande Buda está ladeado por dois Bodhisattvas (ser iluminado), cujas estátuas datam de 1709: à esquerda Kokuzo Bosatsu, ser iluminado da memória e sabedoria; e à direita Nyoirin Kannon Bosatsu, que preside sobre uma das seis dimensões do renascimento cármico. Ao fundo, dois guardiões: à esquerda está Komokuten (senhor da visão limitada) que segura um pincel e um pergaminho em suas mãos, simbolizando a sabedoria; e à direita está Tamonten (senhor que tudo escuta) que segura um pagode, simbolizando a divina casa da sabedoria.

Várias estátuas budistas menores e modelos dos edifícios anteriores e atuais também estão em exibição no Salão Daibutsuden. Outra atração popular é um pilar com um buraco de 50 cm em sua base que é do mesmo tamanho da narina do Daibutsu. Diz-se que aqueles que passam através desta abertura rastejando, atingem o nirvana. Eu não tentei passar com medo de ficar entalado.

Do lado de fora, uma torre dourada chamada Asoka Pillar, um monumento em comemoração ao Hana Matsuri (aniversário do Buda) em 1988. Além disso, o Todaiji Culture Center que agrega o Kinsho Hall, Todaiji Museum e Todaiji Library, todos com ingressos vendidos separadamente.

No caminho de volta para a estação de Nara, seguimos pelo parque, passando pelo Nara National Museum, mas não entramos, chegando ao Templo Kofukuji. O templo também foi da família Fujiwara, inaugurado em 710, que em seu auge consistia de mais de 150 edifícios. Das construções restantes, chama atenção um pagode de cinco andares, que, com 50 metros de altura, é o segundo mais alto do Japão, apenas sete metros mais baixo que o pagode de cinco andares no Templo Toji de Kyoto. O pagode de Kofukuji é um símbolo de Nara, construído originalmente em 730 e reconstruído em 1426.

Ao lado do pagode de cinco andares está o Eastern Golden Hall, ao lado do National Treasure Museum. Um pouco mais a frente o pagode de três andares e o Southern Octagonal Hall. Ainda parte do templo Kofukuji, mas que estavam em obras quando visitamos Nara, estão o Central Golden Hall, Temporary Golden Hall e o Northern Octagonal Hall.

Em sentido oposto a todos esses templos, está o Heijo Palace, que serviu como residência do imperador e escritórios do governo, quando Nara foi capital do Japão. Na mesma direção estão os templos Toshidaiji e Yakushiji. Não visitamos nenhum desses, pois já estávamos bem cansados, mas se sobrar tempo e quiser inclui-los em seu roteiro, saindo da estação de Nara, basta pegar o ônibus 160 para o Heijo Palace.

13 thoughts on “Day trip para conhecer Nara – a cidade dos cervos

  1. Eu amo Japão e estou me planejando para visitar o país. A cidade de Nara é um local que certamente quero visitar! Esse parque com os cervos é a coisa mais fofa! kkkk E os templos japoneses são lindíssimos. Obrigada pelas dicas!

  2. Que linda é Nara – cidade da paz – e os seus fofos cerdos. Ta aí um destino no Japão que não devia ficar de fora do roteiro de ninguém! Muito legal 🙂

  3. Minha day trip para Nara foi um dos pontos altos da viagem para o Japão. Achei a cidade tão fofa que me arrependi de não ter dormido lá! Ótimas dicas, tudo bem explicadinho.

  4. Japão tem aparecido com frequência nos blogs e estou aprendendo muito sobre o país. Não conhecia Nara e gostei de saber sua história e mais ainda sobre os cervos!

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