corredor de bambus em Arashiyama
Kyoto

Arashiyama: corredor de bambus e templos

Arashiyama é um distrito de Kyoto muito frequentado pelos próprios japoneses. Entretanto, passou a atrair os turistas não só pelos templos que abriga, mas principalmente pelo famoso corredor de bambus (Bamboo Grove). De qualquer forma, a natureza e o conceito de cidade de interior está ainda muito marcado por lá.

Como chegar a Arashiyama

Arashiyama é o segundo mais importante distrito com pontos turísticos de Kyoto, situado a oeste da cidade. Para chegar lá usamos mais uma vez o JR, usando nosso Japan Rail Pass, na linha JR Sagano. Em seguida, basta saltar na estação Saga-Arashiyama. Neste percurso, diferente de quando fomos para Fushimi Inari, pode ser usado o trem Local ou Rapid, já que ambos fazem parada na estação. Quem preferir, pode pegar o ônibus 28 na estação de Kyoto.

Ao sair da estação, a primeira coisa que vimos foi o 19th Century Hall Sl & Piano Museum, um museu dedicado a locomotivas e pianos, mas não visitamos. O caminho para as principais atrações de Arashiyama a partir da estação JR é um percurso de 12 minutos a pé. É ainda bem tranquilo pois é o mesmo que praticamente todas as pessoas que saem da estação fazem.

19 Century Hall em Arashiyama
19th Century Hall em Arashiyama

Corredor de Bambus em Arashiyama

Ao sair do templo pelo portão Norte, você já estará na trilha que leva ao corredor de bambus (Bamboo Grove). Quem assistiu ao filme “O Tigre e o Dragão” vai lembrar desse cenário. O grande bambuzal é um local imperdível. A trilha passa por meio de bambus gigantes que com o vento dão um ar bucólico ao local. Mais uma vez, tenha paciência para poder tirar uma foto exclusiva, já que várias pessoas circulam pela trilha o tempo inteiro.

Bamboo Grove
Corredor de bambus em Arashiyama

Seguindo a trilha por uns 10 minutos, chegamos ao palacete Ökochi Sanso. Aberto de 09h às 17h, foi casa do ator de filmes de samurai Ökochi Denjiro. O ator inclusive construiu um pequeno templo (Jibutsu-do) em 1931, o qual usava para orações e meditação em busca de inspiração para sua carreira. Denjiro faleceu em 1962, aos 64 anos, deixando sua casa como legado para visitação.

Para conhecer o palacete é preciso pagar um ingresso meio caro para os padrões de templos japoneses (¥1.000), mas vale. Ele dá direito a conhecer a propriedade através de uma trilha bem marcada, ter uma vista incrível do alto da montanha e comer um bolo e tomar um chá na linda casa de chá no jardim do palacete.

Okochi Sanso
Ökochi Sanso

Não prosseguimos na trilha do bambuzal, porque já estávamos com fome. Porém, seguindo é possível conhecer mais quatro templos budistas: Jojaôkko-jiNison-inGio-ji e Adashino Nembutsu-ji.

Templos em Arashiyama

Templo Tenryü-ji

Por falar em templos, o maior e mais visitado em Arashiyama é o Tenryü-ji, templo zen da seita Rinzai. Fundado por Takauji, primeiro xogum Ashikaga, o templo, cujo nome significa em português “dragão celestial”, foi construído em 1339 para dar paz ao imperador Go-Daigo. O motivo: após um sacerdote ter sonhado com um dragão saindo do rio das proximidades, tal sonho foi interpretado como um sinal de inquietude do espírito do imperador. Conhecer essas “crenças” e interpretações é que fazem a diferença ao conhecer tantos templos no Japão, cada um tem sua história peculiar.

As construções atuais datam de 1900, uma vez que as originais foram destruídas por vários incêndios e guerras. Contudo, o jardim do século XIV continuou intacto e é o mesmo até hoje. Para mim, de todos os jardins japoneses que visitei no Japão, este sem dúvida foi o mais lindo. Criado pelo paisagista Muso Soseki, o jardim possui um lago central cercado por pedras, pinheiros e a vegetação da montanha Arashiyama, que dá nome ao distrito.

Templo Tenryu-ji em Arashiyama
Templo Tenryu-Ji

O templo fica aberto de 08h30 às 17h30 e para entrar é preciso pagar ingresso de ¥500 (agosto 2016). O ingresso dá acesso ao jardim e à estrutura do templo, na qual deve-se entrar descalço ou de meia apenas. No interior do templo, podemos conhecer o Hojo (main hall), a cozinha do templo (Kuri), mas a melhor área é o Shoin (drawing hall– salão de desenho), de onde se tem uma bela vista do jardim. É usada como área de meditação, inclusive os visitantes são encorajados a manter o silêncio nesta área.

Templo Daikaku-ji

Quando chegamos na estação de Saga-Arashiyama, alugamos bicicleta para explorar a região. A única vantagem foi o fato de conseguir visitar o conjunto que forma o templo Daikaku-ji, que fica já no distrito vizinho Sagano. Por isso o nome da estação é Saga-Arashiyama. Originalmente conhecido como Sagagosho ou Saga-yama, o templo foi uma das casas do imperador Saga após sua regência. Tornou-se templo em 876 após a morte do imperador, sendo reformada em 1307 durante o império de Go-Uda. Além da visita ao interior do templo, que deve ser feita sem sapatos, é possível observar o organizado jardim zen.

Templo Daikaku-ji em Arashiyama
Templo Daikaku-Ji

A grande desvantagem em alugar bicicleta é o fato de não ser permitido bicicletas no corredor de bambus. Além disso, por causa do horário de devolução, acabamos deixando de visitar um dos pontos turísticos principais, que é a Ponte Togetsukyo, que em português significa Ponte do Cruzamento da Lua. A ponte foi construída durante o período Heian, reconstruída nos anos 30 e pelas fotos que já vi, fica linda em conjunto com as flores na época da primavera.

Reserve meio dia para a visita a Arashiyama, que pode ser feita em uma manhã ou uma tarde, tranquilamente. Tendo tempo, visite o Parque dos Macacos de Iwatayama, onde vários macacos circulam livres pelo parque.

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