Kyoto

Kiyomizu-dera: um templo de madeira na montanha de Higashiyama

Higashiyama é um distrito que recebe o nome das montanhas ao leste de Kyoto. Em épocas festivas, nas montanhas são feitas várias fogueiras em diferentes formatos com simbologia única, mas no distrito à base delas podem ser encontrados vários templos, santuários e parques, sendo o Kiyomizu-dera, o mais impressionante templo da região.

Por ficar na encosta da montanha, o acesso ao Kiyomizu-dera pode ser um pouco mais difícil do que os demais templos, mas não deixe isso te desanimar, porque este é um dos mais interessantes da cidade. Quem for de ônibus, pode pegar o 100 ou 206 em frente à estação de trem de Kyoto; quem for a pé, deve se preparar para subir uma rua em ladeira, com algumas lojas de artesanato e cerâmica; nós fomos de táxi, já que estávamos em quatro pessoas e compensava mais do que pagar quatro passagens de ônibus, porém o acesso de carros também é bem tumultuado devido ao número de pessoas circulando por lá.

O Kiyomizu-dera é um dos templos mais celebrados e visitados do Japão, justamente porque não é exclusivo de uma seita específica, é um templo budista que pertence a todas elas. Seu nome deriva da cachoeira de Otowa, sendo conhecido também como o Templo das Águas Puras. Originalmente construído em 798, as edificações atuais datam de uma reconstrução de 1633 e em 1994 o templo foi adicionado à lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO.

A entrada para o templo custa ¥400. O início da visita se dá pelo Nio-mon Gate, portão dos deuses Deva e o Sai-mon Gate (portão oeste), à frente do pagode de três andares Sanju-no-To e ao lado da Shoro (Torre do Sino). Seguindo a visitação, passamos por várias salas de adoração revestidas por tatames como Zuigu-Do. A parte debaixo do Zuigu-Do é considerada o útero de Zuigu-Bosatsu, uma espécie de Buda maternal, que torna realidade os desejos do visitante, se estes forem puros e verdadeiros. Para entrar no porão, é preciso pagar mais ¥100 e não é aconselhável para quem tem claustrofobia, já que é bem estreito e escuro.

Ainda passamos por outras salas como Kyo-Do e Kaisan-Do até chegar ao salão principal Hon-Do (Main Hall). Este salão abriga o principal objeto de adoração do templo, uma pequena estátua de onze cabeças de Kannon. Porém o grande atrativo é a varanda do salão principal, considerada uma maravilha da marcenaria japonesa, já que foi construída sem um prego, sustentada apenas por pilares que a mantém erguida sobre a encosta das montanhas. De lá temos uma incrível vista das montanhas e do Koyasu-no-To, um pagode de três andares entre as árvores no extremo sul do templo, que segundo a lenda, a visita traz um parto fácil e seguro à visitante. Fomos andando até lá e a linda vista do Hon-Do é recíproca. Para chegar ao Koyasu-no-To passamos pelo Oku-no-In, que estava em reforma, sem permissão de entrada, quando visitamos o templo em agosto de 2016.

Na saída, passamos pela Otowa-no-taki, a cachoeira de Otowa, localizada na base do salão principal. Suas águas são divididas em três riachos separados, e os visitantes fazem fila para beber essa água considerada sagrada, cujo benefício se acredita trazer saúde e longevidade, além de uma vida amorosa feliz. No entanto, beber de todos os três riachos é considerado ganancioso. Ali em frente, fica uma espécie de lounge onde as pessoas sentam para comer e beber, com uma vista incrível do alto da montanha.

Como disse acima, quando visitamos o templo, algumas áreas estavam em obras. Isso porque muitos dos edifícios do Kiyomizu-dera estão sendo renovados desde 2008. Por exemplo, desde fevereiro de 2017, o salão principal do templo passa por reforma de seu telhado, com previsão de término para o verão em junho, porém os visitantes poderão entrar no salão principal durante as renovações. O templo pretende completar todas as obras até 2020, a tempo dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

As visitações podem ser realizadas todos os dias, das 06h às 18h, e até 18h30 nos finais de semana e feriados. Durante a primavera e outono, o templo recebe um esquema de iluminação especial, sendo aberto à visitação das 18h às 21h durante o Hanatoro, eventos de iluminação do distrito de Higashiyama que acontecem da segunda quinzena de março até meados de abril e meados de novembro até o início de dezembro.

Leo Vidal
Leo Vidal
Carioca, biólogo, apaixonado por música, filmes e sempre disposto para novas viagens. Compartilha suas dicas de viagem há mais de 5 anos, sempre antenado ao melhor da gastronomia e hotelaria.

10 thoughts on “Kiyomizu-dera: um templo de madeira na montanha de Higashiyama

  1. Eu sou claustrofóbica e fiquei um pouco triste em saber que a visita não é aconselhável. Mas ainda bem que você avisou, pois é muito ruim quando sou pega de surpresa, pago a entrada e não consigo prosseguir com o passeio.

    De qualquer forma, as construções são lindas mesmo vendo apenas por fora. Sabe em qual época o movimento de pessoas é menor por lá?

  2. Visitar o Kiyomizu-dera é um programa imperdível em Kyoto. Um dos seus principais templos (e como tem templo essa cidade! rsrs). Adorei passear com você por lá… Quando estive lá em abril/2017 o templo principal continuava em obras e acabei só visitando a área externa. Excelente post!

  3. Eu sou simplesmente apaixonada por templos orientais e esse é realmente um espetáculo! Imagina essa vista lá do alto! Também achei bem bonito que o Kiyomizu-dera é conhecido como Templo das Águas Puras.

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