Curitiba

Memorial do Holocausto em Curitiba

Já visitei alguns museus e memoriais do Holocausto no mundo, mas me surpreendi ao saber que existia um no Brasil, o primeiro no país, e que fica em Curitiba. Quando estive na capital paranaense em novembro de 2015 aproveitei para ir conhecer o Memorial do Holocausto em Curitiba. Como em todos os outros que já visitei, a visita foi interessante e muito comovente.

Ao chegar deixei minha mochila em um armário com chave no estacionamento, passei pelo detector de metais e peguei o elevador para o andar de acesso ao museu em si. NÃO é permitido tirar fotos no local, a não ser no pequeno jardim que tem do lado de fora.

A exposição permanente do Museu possui 56 objetos expostos e aproximadamente 300 fotos e vídeos.  Esses números correspondem a cerca de 5% de todo o acervo. Semanalmente, o departamento museológico recebe doações de fotos, documentos, passaportes e objetos relacionados as vítimas e ao período histórico do Holocausto.

Fiz a visita guiada e aconselho fortemente, pois foi muito interessante ouvir as explicações não só históricas, como vivenciadas pela guia em contato com os sobreviventes que chegaram à Curitiba. A primeira parte da exposição explica um pouco sobre a criação do museu, que presta homenagem às vítimas e aos sobreviventes do Holocausto, bem como a seus familiares e aqueles considerados “justos entre as nações”. Contando um pouco da história de pessoas que fugiram do Holocausto e se instalaram no Estado, o museu cumpre uma missão em promover uma discussão abrangente sobre a questão do preconceito e da violência ao longo do século XX e até hoje.

Na segunda parte é dado ênfase à perseguição e marginalização dos judeus na Alemanha, desde a queima dos livros até a chamada “Noite dos cristais” onde foram quebradas várias sinagogas no país, incluindo a de Berlim. No que se inicia a terceira parte da exposição, quando já está instaurada a Segunda Guerra Mundial e se inicia a perseguição aos judeus na Polônia e são formados os guetos. Essas duas partes são interessantes pois é mostrado como a imagem dos judeus era associada ao mal, aos vilões, enquanto os soldados nazistas eram exaltados e vistos como heróis e isso era passado adiante por meio de cartazes, propagandas.

Na parte do avanço da ocupação nazista no Leste Europeu, são mostrados objetos da época, ressaltando a Operação Barbarossa, quando nazistas fuzilaram os judeus. Posteriormente, viriam a existir os campos de extermínio e a indústria da morte, quando foram criados os campos de concentração e câmaras de gás, mostrando o desespero dos nazistas em tentar exterminar os judeus por qualquer forma.

Nas três partes seguintes são destacadas os justos entre as nações – pessoas que colaboraram para salvar a vida dos perseguidos – alguns não judeus e essas histórias são contadas de forma interativa por meio de telefones. São destacados também os movimentos de resistência com totens onde é possível ver relatos de pessoas que se salvaram e vieram para o Brasil, em especial Curitiba. Porém, as marchas da morte – judeus que fizeram marchas a pé para tentar fugir do Holocausto – muitas vezes no frio intenso e percorrendo 400 km – também são lembradas, não só as bem sucedidas como as que resultaram na morte de diversos judeus.

A nona parte da exposição – Sherit Hapleitá – exalta o retorno à vida. Relatos de pessoas que se salvaram, mas que não tinham mais para onde ir e acabaram saindo da Europa em direção a vários locais no mundo. Também é mostrado na parte ” O Brasil na Segunda Guerra Mundial” pôsteres de jornais da época contando sobre o primeiro grupo de militares brasileiros que chegou à Itália em julho de 1944.

Chegando ao final da exposição, são destacadas as ondas migratórias para o Paraná e a formação da comunidade judaica em Curitiba em um telão que mostra fotos de imigrantes e também uma homenagem aos sobreviventes da Shoá que encontraram no Estado um novo lar, pelo clima da região ser muito parecido com o europeu, muitos ali se alojaram. Ao mesmo tempo, existe uma homenagem aos mortos sob a forma de pedras, seguindo a tradição de cemitérios judaicos onde as homenagens são feitas com pedras porque as flores morrem e as pedras permanecem, segundo explicado pela guia.

A última parte e que eu achei super interessante – “A que ponto chegamos no século XX” –  apresenta um grande quadro com relatos de outras guerras que se sucederam em diversas partes do mundo, bem como relatos de crimes de ódio e preconceito ocorridos inclusive no Brasil, mostrando que enquanto houver esse sentimento, muitas guerras e mortes ainda poderão acontecer.

No Auditório Anne Frank é exibido um filme mostrando making of do museu. Uma visita que nos leva a conhecer um pouco mais da história do Holocausto e a refletir mais sobre nossos atos, nossa sociedade e como podemos mudar o futuro para que esses eventos não venham a se repetir. Imperdível!

A visita ao Museu do Holocausto em Curitiba, seja guiada ou não, é gratuita e deve ser agendada previamente pelo site. O horário de funcionamento é de 2ª a 4ª das 8h30 às 11h30 e das 14h30 às 17h30; 6ª das 8h30 às 11h30; e domingo de 9h às 12h. O museu NÃO abre 5ª e sábado.

Endereço: R. Cel. Agostinho Macedo, 248 – Bom Retiro

Leo Vidal
Leo Vidal
Carioca, biólogo, apaixonado por música, filmes e sempre disposto para novas viagens. Compartilha suas dicas de viagem há mais de 5 anos, sempre antenado ao melhor da gastronomia e hotelaria.

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