visita ao Palácio Guanabara
TURISMO

Visita guiada ao Palácio Guanabara de Portas Abertas

O Governo do Estado do Rio de Janeiro abriu novamente a visita ao Palácio Guanabara. Em 2015, eu já tinha feito o tour ao Palácio Guanabara, conhecendo algumas salas da sede administrativa do Governo. Com a volta do projeto “Palácio Guanabara de Portas Abertas” fui convidado pelo Turismo do Rio a conhecer o novo tour que agora passa por duas salas que eu não tinha conhecido anteriormente.

O Palácio Guanabara de Portas Abertas é um projeto de visitas guiadas criado pela Casa Civil e Governança, em parceria com a FAETEC – Fundação de Apoio à Escola Técnica. O programa abre as portas da sede do Governo do Estado para a população. Dessa forma, ela tem acesso a um dos mais importantes patrimônios histórico e cultural do Rio de Janeiro e do Brasil.

Fachada Palacio Guanabara

Como fazer a visita ao Palácio Guanabara

As inscrições para agendar a visita só podem ser feitas enviando e-mail para visitaguiada@casacivil.rj.gov.br. Basta informar nome e data de interesse para a visita. De acordo com a disponibilidade, eles enviam um e-mail para que você complete um formulário com seus dados e então enviarem a confirmação. A visita é realizada sempre aos sábados às 10h, com 30 participantes. O horário é cumprido fielmente.

Aconselho quem for de fora do Rio de Janeiro e que tenha interesse em realizar a visita, que explique no e-mail a situação. Comente que estará na cidade no dia X, para que eles possam tentar conciliar as datas.

Chegando com antecedência ao horário marcado, aproveite para fazer fotos da fachada. O ponto de encontro da visita é na Sala de Recepção. Ali já podemos ver uma estátua de Estácio de Sá, militar português fundador da cidade do Rio de Janeiro.

Histórico do Palácio Guanabara

Construído em 1853, como residência familiar de um comerciante português, José Machado Coelho, o palácio neoclássico foi vendido para a coroa em 1864. Neste período recebeu o nome de Paço Isabel, se tornando residência da Princesa Isabel e Conde D’Eu até 1889.

Durante esse período, o casal plantou inúmeras espécies vegetais exóticas, como por exemplo, as mangueiras e jaqueiras. Além disso, as palmeiras imperiais. A fileira dupla de palmeiras na Rua Paissandú – em frente a palácio – foram plantadas com um único objetivo. Fazer sombra para que a Princesa Isabel pudesse percorrer o caminho ate a praia – atualmente Praia do Flamengo – sob a sombra.

Com a implantação da República, o Paço Isabel foi incorporado ao Patrimônio da União. Em 1890 passou a ser chamado de Palácio da Guanabara. Passou por um reforma em 1908, que deixou o palácio com a fachada igual a de hoje.

Em 1910, o Rio de Janeiro era capital federal, por isso, o palácio se tornou residência do presidente. Em 1920, o interior foi reformado para receber os reis da Bélgica. Em 1926, passou a ser a residência oficial do Presidente da República até 1947, durante o governo de Gaspar Dutra.

Em 1948, perdeu função residencial, se tornando sede administrativa do Distrito Federal. Em 1960 passou a ser sede do Governo do Estado. O palácio ainda foi restaurado nos períodos de 1987-1990 e 2011, durante os governos de Moreira Franco e Sérgio Cabral, respectivamente.

A visita guiada pelo interior do Palácio Guanabara

Todo o piso da entrada do palácio é de mosaicos formando figuras geométricas e demais figuras. De lá subimos para a primeira parte do tour, a visitação ao Salão Nobre.

Salão Nobre

O Salão Nobre desde os tempos da Família Imperial era o centro de reuniões. Era onde aconteciam encontros políticos e também saraus promovidos pela Princesa Isabel para os amantes de música e poesia. Foi construído e decorado para a recepção dos reis da Bélgica. Anteriormente era dividido em três menores salas. Atualmente, se destina a encontros de autoridades e importantes eventos do Estado.

visita ao Palácio Guanabara

Nas paredes pinturas-retrato de ex-presidentes que ali viveram. Um quadro chama a atenção, não só pelo tamanho, é o da Morte de Estácio de Sá. Pintado em Paris por Antônio Parreiras, retratando um importante momento da História do Brasil. O mobiliário também se mantém intacto e restaurado aos moldes da época. A decoração do salão é uma mistura de três estilos: rococó, Luis XV e Luis XVI. Nessa sala não é permitido sentar e nem tocar no mobiliário.

Salão Verde

Em seguida, a visita passa para o Salão Verde, que recebe este nome pelo revestimento em mármore verde. A decoração foi encomendada por Getúlio Vargas, que utilizava o salão como sala de jantar. Atualmente, a sala é utilizada para reuniões.

Gabinete do Governador

Durante a visita tivemos a chance de conhecer o Gabinete do Governador, chamado de Gabinete Estácio de Sá. Na época da Princesa Isabel, essa área era usada como sala de jantar. Atualmente é dali que o Governador emite seus despachos e realiza suas funções. Na parede, chama atenção o quadro Abdicação de D. Pedro I, de autoria de Aurélio Figueiredo. A visita ao gabinete é realizada apenas quando não há eventos políticos e burocráticos acontecendo na data.

Sala “Pé de Moleque”

Em seguida, a visita passa pela Sala “Pé de Moleque” que recebe esse nome pela técnica de calçamento exibido na sala. Normalmente esse calçamento era utilizado nos casarões coloniais, na área destinada aos escravos. Os “moleques” – filhos dos escravos – eram responsáveis por pisar nas pedras que formam o calçamento. A técnica foi trazida de Portugal por volta do século XVII e foi encontrada na sala durante as obras de restauração em 2011. Para evidenciar esse calçamento, foi colocado um piso de vidro e iluminação ressaltando as grandes pedras que formam o calçamento.

Atualmente, a sala abriga várias pinturas de artistas brasileiros emprestadas por museus do Estado. A presença de um mobiliário mais moderno, faz com que passado e presente convivam em perfeita harmonia. Durante a reforma de 2011, foi encontrada uma viga original do palácio, que foi mantida e onde está uma estátua de São Jorge. A Sala “Pé de Moleque” é utilizada para recepção de chefes de Estado.

Pátio Interno e Jardim de Inverno

Ao sair da sala, um jardim interno, onde a Princesa Isabel passava boa parte do seu tempo. Algumas esculturas adornam esse jardim. Por exemplo, os delfins no centro simbolizam o Príncipe herdeiro.

visita ao Palácio Guanabara

Em seguida, passamos por um túnel onde se acredita ser o local por onde as carruagens passavam. Isso por causa dos grandes arcos que adornam as extremidades do túnel. Ao abrir um grande portão, um pátio e ao fundo os jardins do palácio. Neste pátio notei uma placa indicando a visita do Papa Francisco ao palácio, quando o mesmo esteve no Rio de Janeiro em 2013 para a Jornada Mundial da Juventude.

Jardins do Palácio

Infelizmente durante nossa visita ao Palácio Guanabara, começou a chover e não pudemos conhecer o jardim com calma. Porém, na minha visita em 2015, consegui conhecer cada cantinho com um sol lindo.

A grande menina dos olhos da visita é o jardim que foi idealizado pelo paisagista francês Paul Villon no início do século XX. Canteiros geométricos se inserem em uma grande retângulo quase plano. Por ali predominam gramados e flores também plantados geometricamente. Além disso, observa-se as duas fileiras de palmeiras imperiais ao fundo do jardim, onde a visitação não tem permissão de chegar. Um par de palmeiras inclusive foi plantado pela própria Princesa Isabel.

O principal elemento do jardim é a estátua de Netuno, rodeada de crianças montadas em golfinhos. Um grande chafariz do escultor francês Gabriel Dubray. Além disso, quatro estátuas simbolizam as estações do ano, dispostas em cada um dos quatro cantos ao redor do chafariz. Outras peças como vasos e bancos de madeira, tornam o jardim um ambiente bem agradável.

Capela Santa Terezinha

O último ponto de visitação é a Capela Santa Terezinha. Por causa do avançado da hora, não conseguimos visitar a capela que fica ao lado do palácio. Em 2015, consegui fazer a visita à capela e conto abaixo os detalhes.

A capela foi construída na década de 40 e inaugurada em 30 de setembro de 1946. Na época, o governo era de Eurico Gaspar Dutra. Inclusive ela foi construída com verba que sobrou da campanha do mesmo. Carmela Dutra, esposa de Gaspar Dutra, era devota de Santa Terezinha, santa padroeira das flores e dos missionários. Por isso, pediu que a capela fosse construída naquele local, de frente para o palácio. Dessa forma, nos dias chuvosos ela não precisaria sair do palácio, orando para a santa a partir da janela.

visita ao Palácio Guanabara

Atualmente a capela é usada para missas, batizados e casamentos, por exemplo. Um detalhe é que Carmela Dutra faleceu em 1947 e não pôde usufruir tanto da capela. Seu marido então mandou entalhar em dois genuflexórios as iniciais de seus nomes (CD e ED). Após a morte de sua esposa, o ex-presidente ia à capela, colocava os dois genuflexórios lado a lado e se ajoelhava no que tinha suas inciais, não deixando que ninguém usasse o que seria de sua esposa. Permanecia lá rezando, como se ela estivesse ali a seu lado.

Os genuflexórios hoje são usados nos casamentos pelos noivos, a noiva se ajoelha no que seria de Carmela Dutra e o noivo no de Eurico Gaspar Dutra.

Considerações finais

A visita ao Palácio Guanabara tem duração de 75 a 90 minutos, feita em grupos de 30 pessoas. Durante a semana, o Palácio Guanabara abre as portas apenas para estudantes do Ensino Médio, com idade entre 14 e 18 anos. As inscrições dos grupos, de até 30 alunos, devem ser feitas pelas escolas, diretamente no site do programa.

A visita ao Palácio Guanabara é bem interessante. Nos remete a diferentes períodos da história do Brasil e nos faz descobrir fatos curiosos. Fiquei feliz que o projeto tenha sido retomado e que o Palácio Guanabara esteja sempre de portas abertas ao povo.

Endereço: Rua Pinheiro Machado, s/nº – Laranjeiras

Leo Vidal
Carioca, biólogo, apaixonado por música, filmes e sempre disposto para novas viagens. Compartilha suas dicas de viagem há mais de 5 anos, sempre antenado ao melhor da gastronomia e hotelaria.

12 thoughts on “Visita guiada ao Palácio Guanabara de Portas Abertas

  1. Esse lugar é realmente fantástico, uma pena ver uma cidade tão bonita dando pouco valor a arquitetura e aos museus. Que bom que abriram as portas para os turistas e moradores cariocas poderem conhecer um pouco mais do Rio.

  2. Quando Lily me levou para um tour no Rio vi o palácio por for fora, mas não sabia que era tão lindo assim! Na próxima visita ao Rio quero conhecer.

    1. Isso aí Fabricio. Às vezes deixamos de lado nossos próprios pontos turísticos, mas isso, vamos descobrindo e curtindo aos poucos. Agente sua visita e depois me diga o que achou. Abraço

  3. A visita ao Palácio Guanabara é maravilhosa e gratuita! Tudo de bom. Os detalhes da arquitetura são lindos e a oportunidade de um passeio guiado oferece a chance de aprender muito sobre a nossa história. Excelente post!

  4. Que demais! Adorei a dica.
    Vou ao Rio em outubro e ainda não tinha ouvido falar na visita ao Palácio Guanabara!

    Vou me programar para não perder essa!

    Valeu

  5. Muito boa dica !!Parabéns pela iniciativa de compartilhar com todos. Quanta historia neste palacio que muitos cariocas nao conhecem !
    Precisamos divulgar mais estes locais preciosos da cidade do Rio de Janeiro com tanta história para contar.
    Conte comigo, grande abraço,
    Marcos Duarte

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