Espaço São José Liberto
Belém

Espaço São José Liberto e o Museu de Gemas do Pará

Espaço São José Liberto é hoje um centro comercial, também conhecido como Polo Joalheiro de Belém. O local que já foi um convento e uma cadeia pública, é uma opção para quem quer comprar joias feitas de pedras preciosas regionais, mas também tem uma história interessante a ser contada ao turista.

Inaugurado em 11 de outubro de 2002, o Espaço São José Liberto é um espaço intersetorial e transversal concebido para abrigar setores criativos e categorias culturais. É mantido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e gerenciado pela organização social Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama).

Considerado Polo Joalheiro de Belém, o espaço abriga a Casa do Artesão, com diversas salas de produção e venda de joias a partir de gemas e pedras preciosas regionais, que funcionam onde eram as celas da cadeia. Outro destaque é o Museu de Gemas do Pará, que permite ao visitante, fazer uma viagem pela história gemológica do Estado, através de um acervo com mais de 4.000 peças. São cinco salas que exibem gemas encontradas em território paraense, cerâmica arqueológica Marajoara e Tapajônica, bem como uma coleção de joias feitas de gemas e metais preciosos, com as características da cultura amazônica. A entrada para o museu é paga, apesar da entrada do Espaço São José Liberto ser gratuita.

Mas o local não foi Polo Joalheiro por todo tempo. O prédio principal data de 1749, erguido como o Convento de São José pelos frades da Piedade, que após perseguição pelo Marquês de Pombal, foram expulsos do Pará em 1758. O convento foi então ocupado pelo Estado, servindo como depósito de pólvora, quartel de batalhões de infantaria e cavalaria e até uma olaria. Em 1835, durante a Cabanagem funcionou como hospital.

Em 1843, o convento em ruínas passou por uma reforma para abrigar a Cadeia Pública de Belém, recebendo o primeiro detento, o escravo Inácio. O prédio possuía capacidade para 150 detentos, distribuídos em aproximadamente 15 celas, algumas ladrilhadas, sendo que duas serviam como solitárias. A Cadeia de São José, como era chamada, sempre foi mista, porém apenas 5% do contingente era feminino. Ainda hoje existe uma cela aberta à visitação, o Memorial da Cela “Cinzeiro”.

Espaço São José Liberto

A cadeia possuía uma Capela que se encontra até hoje no local, com destaque para a imagem do Cristo suspenso e as paredes originais de pedra e a pintura de estrelas no teto, além de uma tela do artista plástico paraense Osmar Pinheiro Jr.

O pátio para momentos de lazer dos presos, hoje se tornou um jardim com grandes quartzos (um com quase 2 metros de altura), em uma fonte ao centro, o Jardim da Liberdade. Projetado pela paisagista Rosa Kliass, o jardim tem forma de mandala, reunindo alguns dos principais elementos da natureza: a água que purifica, as plantas que renovam o ar e as pedras que energizam o ambiente.

Foram cerca de 150 anos como local de privação da liberdade, tanto para presos de justiça como para presos políticos. Desativado em 1998 após diversas revoltas, o prédio foi totalmente restaurado com a supervisão técnica do arquiteto Paulo Chaves. Atualmente, também conta com uma área conhecida como Coliseu das Artes, uma arena que recebe espetáculos de teatro, dança e música, mas também é um espaço para exposições.

O Espaço São José Liberto funciona de terça a sábado das 09 h às 18h30 e aos domingos e feriados das 10 h às 18h. Vale a pena visitar o local e conhecer um pouco de sua história, aproveitando para apreciar, e se possível comprar, verdadeiras artes em forma de joias.

Endereço: Praça Amazonas, s/n – Juruvas, – Tel.: (91) 3344-3500 / 3344-3514

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